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Como a osteoartrite se desenvolve?

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A osteoartrite é uma das condições articulares mais comuns na população adulta e idosa, sendo responsável por limitação funcional, dor crônica e perda de qualidade de vida. Durante muito tempo, acreditou-se que essa doença fosse apenas o resultado do “desgaste natural” da articulação com o passar dos anos. No entanto, a ciência tem mostrado que o processo é muito mais complexo e envolve alterações celulares e moleculares. A chave para entender como a osteoartrite se desenvolve está no comportamento dos condrócitos, as células responsáveis por manter a integridade da cartilagem. 

Envelhecimento celular e cartilagem articular

Rear view of nurse training seniors in lifting dumbbells while sitting on fitness ball

A cartilagem é um tecido essencial para o funcionamento das articulações, pois garante que os ossos deslizem suavemente entre si, sem atrito. As células encarregadas de manter esse tecido são os condrócitos. Eles produzem colágeno e proteoglicanos, componentes que dão elasticidade e resistência à cartilagem.

Com o envelhecimento, esses condrócitos passam por um processo chamado senescência celular. Isso significa que, embora ainda estejam vivos, eles entram em um estado de “aposentadoria funcional”. Não se multiplicam mais, têm a função reduzida e, pior, começam a secretar substâncias inflamatórias que prejudicam a cartilagem. Esse comportamento é conhecido como SASP (fenótipo secretor associado à senescência).

O envelhecimento dos condrócitos também está ligado ao acúmulo de radicais livres (estresse oxidativo), danos ao DNA e ativação de genes como p16 e p21, que bloqueiam permanentemente a multiplicação celular. Com isso, o tecido cartilaginoso perde a capacidade de se renovar e reparar, favorecendo o aparecimento da osteoartrite.

Inflamação crônica e degradação da cartilagem

Um dos principais elementos que explicam como a osteoartrite se desenvolve é a inflamação crônica silenciosa provocada pela senescência celular. Os condrócitos envelhecidos começam a liberar citocinas inflamatórias como IL-6 e TNF-alfa, além de enzimas chamadas metaloproteinases (MMPs), que destroem os componentes estruturais da cartilagem.

Esse ambiente inflamatório não apenas prejudica o tecido local, mas também contamina células vizinhas, acelerando o processo degenerativo. Esse fenômeno, conhecido como efeito parácrino, transforma uma pequena área de desgaste em uma lesão progressiva. Assim, a osteoartrite não é apenas uma questão de uso excessivo da articulação, mas um ciclo vicioso de inflamação, degradação e falha celular.

Esse entendimento também explica por que alguns pacientes com baixo nível de atividade física desenvolvem osteoartrite, enquanto outros mais ativos mantêm suas articulações saudáveis. A chave está na saúde celular e nos mecanismos moleculares internos, não apenas no desgaste mecânico.

Terapias senolíticas e o futuro do tratamento

Com o avanço das pesquisas, surgem novas possibilidades de tratamento que vão além do alívio da dor. Os medicamentos senolíticos, por exemplo, têm como alvo eliminar as células senescentes que produzem SASP. Ao fazer isso, é possível interromper o ciclo inflamatório e reduzir a degradação da cartilagem.

Já os senomórficos não eliminam as células, mas modulam seu comportamento, inibindo a produção de substâncias prejudiciais. Essas abordagens fazem parte da medicina regenerativa e sinalizam uma mudança de paradigma: tratar a causa da osteoartrite no nível celular, e não apenas controlar os sintomas com analgésicos ou anti-inflamatórios.

Embora ainda em fase de estudos clínicos, essas terapias representam um futuro promissor para milhões de pessoas que sofrem com a osteoartrite, especialmente aquelas com comprometimento articular significativo e que ainda não têm indicação para cirurgia. Infelizmente muitas pessoas mal intencionadas utilizam estas informações preliminares como verdade absoluta e fazem crer que realmente há alguma “regeneração” o que ainda está em fase de estudos e necessita de grande tempo de seguimento para que se prove funcional. 

Quando a cirurgia ainda é a melhor opção

Mesmo com todos os avanços em tratamentos conservadores e moleculares, há situações em que a degradação articular está tão avançada que a cirurgia se torna inevitável. Isso é comum em casos de artrose grave, onde a cartilagem desapareceu quase totalmente e há contato direto entre os ossos.

Nessas condições, procedimentos como a artroplastia do quadril oferecem alívio da dor, recuperação funcional e melhora na qualidade de vida. O uso de tecnologia na cirurgia do quadril, como a navegação por imagem, impressão 3D e robótica garante maior precisão e recuperação mais rápida para o paciente.

O importante é que a decisão por operar seja tomada de forma individualizada, com base em exames de imagem, avaliação clínica e expectativa de resultado. Em alguns casos, a combinação entre tratamentos celulares e cirurgia pode trazer os melhores resultados.

Entenda sua articulação

Compreender como a osteoartrite se desenvolve é essencial para escolher o tratamento mais adequado. Sabemos hoje que o processo é multifatorial, com forte influência do envelhecimento celular e da inflamação silenciosa provocada por condrócitos senescentes.

Cuidar da saúde das articulações envolve muito mais do que combater a dor: é preciso investir em prevenção, fortalecer a musculatura ao redor das articulações, manter o peso adequado e se necessário, explorar novas abordagens terapêuticas.

Se você sente dor no quadril ou busca uma solução moderna e eficaz, não espere a situação se agravar. Entre em contato comigo e agende sua consulta para entender qual é o tratamento ideal para o seu caso.

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